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Regras do split payment aumentam pressão operacional sobre médias empresas
Empresas com processos manuais e baixa integração financeira podem enfrentar dificuldades com o split payment
A divulgação das regras do split payment pelo Ministério da Fazenda reacendeu a preocupação entre médias empresas sobre a capacidade de adaptação à reforma tributária. Embora o novo modelo esteja previsto para entrar em vigor em 2027, especialistas avaliam que empresas com gestão financeira fragmentada, múltiplos sistemas e baixa automação podem enfrentar dificuldades operacionais já durante a fase de transição.
O split payment é um dos mecanismos centrais da reforma tributária e prevê que parte dos tributos incidentes sobre operações comerciais seja retida automaticamente no momento da liquidação financeira. Na prática, isso aumenta a necessidade de integração entre áreas fiscais, financeiras e operacionais, além de exigir controle mais preciso sobre fluxo de caixa, recebimentos e conciliações.
Para Gonzalo Parejo, CEO da Kamino, plataforma de gestão financeira voltada a médias empresas, o principal desafio não será apenas tributário, mas operacional. “A reforma tributária será um grande teste de maturidade para as médias empresas. O split payment exige integração entre financeiro, fiscal e fluxo de caixa em tempo real. Empresas que ainda dependem de processos manuais, planilhas paralelas e sistemas desconectados terão mais dificuldade para operar nesse novo ambiente”, afirma.
Segundo o executivo, muitas empresas brasileiras ainda operam com estruturas fragmentadas, com informações financeiras espalhadas entre múltiplos bancos, planilhas, ERPs contábeis e fiscais e controles manuais. Esse cenário compromete a capacidade de acompanhar o impacto financeiro das operações em tempo real — visibilidade que se torna crítica com a implementação gradual da reforma.
“O maior risco não é apenas calcular o tributo errado. É perder a visibilidade do caixa. Quando parte dos valores passa a ser automaticamente segregada na liquidação financeira, a empresa precisa saber exatamente quanto entra, quanto sai e qual será o impacto efetivo na liquidez da operação”, diz Parejo.
A avaliação da Kamino é que empresas com maior nível de automação e integração financeira terão vantagem durante a transição. Em 2025, clientes da plataforma realizaram pagamentos por meio de 124 instituições financeiras diferentes, centralizando a gestão financeira em um único ambiente. Segundo o CEO, esse tipo de integração tende a ganhar relevância à medida que as novas regras avançam.
Outro ponto de atenção envolve a velocidade de adaptação dos sistemas internos. O split payment deve ampliar a necessidade de conciliação automática, rastreabilidade de transações e validação constante de dados fiscais e financeiros.
“Durante muitos anos, empresas conseguiram operar com baixa integração porque havia espaço para controles paralelos e ajustes manuais. A reforma reduz essa margem. O nível de precisão operacional exigido será muito maior”, afirma o CEO.
De acordo com Parejo, a discussão sobre reforma tributária ainda está excessivamente concentrada no aspecto jurídico, enquanto o impacto operacional recebe menos atenção do mercado. “A adaptação não depende apenas do fiscal ou do jurídico. O desafio real está na operação financeira do dia a dia. As empresas que começarem agora a organizar dados, integrar sistemas e ganhar visibilidade sobre o caixa tendem a enfrentar uma transição muito mais tranquila”, conclui.
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